Arquivo de fevereiro de 2003

Na cama com Picasso e as crianças

Postado por auri em 08/fev/2003 Comentar

Picasso pela lente de Huffcov.

Picasso era um homem louco, atormentado e excitante que as pessoas consideraram gênio. E eu também o considero. Estou convivendo com ele desde o início de Dezembro do último ano, e tem sido uma história de estímulo constante para minha produtividade. Para minha genialidade também.

Este homem imortal tem o poder de assanhar minhas vontades mais tímidas de produzir. Sua paixão e obstinação natural para pintar qualquer coisa, a qualquer hora, em qualquer lugar ou circunstância põem pra fora minhas necessidades de expressão.

Cheia de pique, Nina com seu pincel, fazendo de seu próprio rosto um Picasso.

Se ele podia, eu também posso. Somos parecidos, embora estejamos imensamente desconectados. Aindo conto com a desvantajosa situação de ter nascido no lugar, no ano, no década errada. Mas, para mim, mais um motivo para não me conformar.

Se vou ser famosa, rica e endeusada como ele, não me interessa. O elo que nos une e me fascina é nossa vontade suprema de viver intensamente as paixões da vida.


Transpirando energia, Iago, que não gosta de se melar de tinta, mas prefere passar pela vida fazendo os outros rir.

Seja por uma pata de pombo, ou por um olho que brilha com determinada réstia de luz; seja por um muro branco a ser pintado, ou por uma parede branca a ser preservada. Por isto ou por aquilo. Por um homem ou por uma mulher. Por meus filhos, ou por meus rascunhos de web sites que ninguém nunca viu. Por minhas camadas cheias de atalhos por descobrir, por meus filtros mágicos que ainda não sei utilizar. Pelo pastel, pelo pixel. Pelo óleo, pela transparência.

Fui para a cama com Picasso e as crianças. Elas dormiram logo, mas eu fiquei como a maioria das mulheres que tiveram o prazer de conhecê-lo; sem poder dormir. Embora cansada e cheia de coisas a fazer na manhã seguinte, mesmo sabendo que preciso salvar energia para meus rebentos cheios de pique, de bom humor e desafios de vida, a inquietante sensação de que as idéias poderiam fugir se não “desenhasse” agora, me tiram o prazer do sono.

Criatura mágica e eterna, este homem. Mesmo depois de morto, tem o poder de nos deixar vivos. E vivendo. É verdade! Picasso só foi “precedido pelo homem que ele mesmo foi”, Apollinaire estava coberto de razão.

Ei! meus amados amigos, vou voltar às minhas “telas digitais” na esperança de que o magnifíco e inconfudível dom do Mestre me presenteie com uma simples pincelada. Mas como ele diria com seu insuficiente francês com sotaque catalão, ce la vie!