Arquivo de maio de 2007

Texto sentido 1: Externalizando a escrita

Postado por auri em 25/mai/2007 1 comentário

Em primeiro lugar escrever sobre a entrevista de Denise Schittine (Escrita Íntima) foi escrever sobre minha própria experiência de “blogueira”. Foi divertido ver nas respostas dela, situações que vivencio ao escrever e as buscas pessoais que faço ao me expor.
Particularmente, chamou minha atenção suas observações sobre a busca pela individualidade e a controversa superexposição do indivíduo. Para Denise, o ”blog é a pontinha do iceberg” da pós-modernidade, e ele coloca em pauta vários “males do século”, como a subjetividade.
Ao escrever no meu blog, estou me expondo ao mundo virtual. Mas, é uma exposição controlada, “ensaiada”. Só deixo que vejam o que eu gostaria que se tornasse público, mesmo quando estou falando de mim de maneira muito íntima e pessoal. E quando falo de questões mais gerais, de cunho social, embora esteja dando uma opinião que vai supostamente interessar a mais gente, a mais áreas, estou ainda assim, teatralizando, enfeitando. Por que quero que minha opinião seja lida, então tem que ser bem elaborada. É a tal “privacidade encenada” e cheia de diferentes “personas”.
Também gostei muito quando a pesquisadora associa o palavreado da rede com o voyerismo. Concordo que a internet é, em grande parte, feita de curiosos. Gente procurando entretenimento e informação. Gente querendo ver, abrir arquivos, portas, conexões. Até mesmo quem vai vender e comprar, está em busca de outras vias não convencionais, de outras janelas e portas.
Particularmente, preocupa-me a assimilação de todo este universo digital pelas gerações que não cresceram dentro dela. E do que a geração atual vai fazer com tanta informação e possibilidades. Minha filha de 12 anos não compra CD, baixa MP3; não escreve cartas, manda e-mails; não telefona para os amigos, usa o MSN; não imprime fotos, grava CD. No meu tempo, com esta idade eu brincava de xerife, de roda, de cai no poço e ia na casa do vizinho para fofocar da vida alheia. E a minha mãe? E minha avó?
No fim acho que somos frutos de nosso tempo e da tecnologia que temos à disposição. Como seres humanos, estamos sempre em transformação “circular”. A gente faz assim, mas depois conclui que é melhor assado, pra depois voltar a fazer assim mesmo. Estamos sempre mudando e melhorando o que já fizemos.

Subjetividade
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.Subjetividade é entendida como o espaço de encontro do indivíduo com o mundo social, resultando tanto em marcas singulares na formação do indivíduo quanto na construção de crenças e valores compartilhados na dimensão cultural que vão constituir a experiência histórica e coletiva dos grupos e populações. A psicologia social utiliza frequentemente esse conceito de subjetividade e seus derivados como formação da subjetividade ou subjetivação.A subjetividade constitui-se num espaço relacional, aonde a insistência dos modos de percepção irá instaurar a realidade.

Mas afinal, o que é arte?

Postado por auri em 21/mai/2007 1 comentário

Já aconteceu de você chegar numa exposição de arte e, atônito, se perguntar: isto é arte? Se sim, fique tranquilo, por que não é o único!

Quem cresceu cobrindo as linhas pontilhadas que a tia dava na pré-escola, desenhando paisagens e animais que brincavam com crianças felizes, estranha mesmo quando vê um cavalo dentro de um museu. Ou um vídeo em que uma mulher agoniza no leito de morte; uma sala cheia de mulheres usando somente sapatos de salto alto; um sujeito que pede a um amigo que lhe dê um tiro no dia da abertura da exposição. Ou ainda, quando ouve falar que um cara embrulhou em plástico o parlamento alemão (A foto acima: 1999. Os artistas Christo e Jeanne-Claude embrulharam o Reichstag após um incêndio que ocorreu em 1933).

A arte sempre foi o resultado do seu tempo e agora não é diferente.Sempre dependeu das mídias e tecnologias disponíveis. E os artistas sempre foram os representantes do inconformismo, da necessidade intrínseca do ser humano de expressar-se de todas as maneiras.

Dando uma rápida pincelada para definir a arte atual, ela é algo mais que apenas beleza. É provocação, expressão, manifestação, reflexão, crítica. O objetivo principal da arte, no meu ponto de vista, é causar um sentimento humano. Seja de atração, repulsão, empatia ou estranhamento. O que valoriza ou não um trabalho é a maneira como isto é feito. Depende da habilidade do autor, do contexto e da motivação. Violência, imigração, etnias, gênero, marginalização, sexualidade todos são temas comumente abordados. Importa, no fim das contas, a história que é inventada ou contada. A atitude por trás do trabalho.

Estamos em uma sociedade que produz, consome e transmite imagens freneticamente. Assim, a expressão artística nos encerra, nos cerca e nos faz protagonistas. E a arte serve para nos ajudar a compreender a nós mesmos e o mundo que nos acolhe.

Artista, não me confunda!

Postado por auri em 13/mai/2007 Comentar

“A arte é a coisa mais concreta do mundo, e não há justificativa para confundir a mente de qualquer pessoa que queira conhecê-la mais profundamente.” Rudolf Arnhein assim introduz a última edição publicada de seu famoso livro Arte e Percepção visual: uma psicologia da visão criadora. Estaria ele provocando os que ousam transformar a arte em uma atividade confusa e despropositada? Estaria ele a incitar o debate sobre o significado do modelo artístico dos dias atuais? Seria uma resposta aos defensores de uma arte conceitual pura, sem reflexões no mundo real?

Penso que seu objetivo não era um nem outro, mas apenas este: de tratar de nos fazer pensar sobre o caminho que a arte tem tomado nos dias atuais. Ele morreu em 1997 e pode testemunhar e profetizar para onde caminhava toda aquela avalance de mudanças comportamentais dos artistas. Ele nasceu no início do Século e presenciou as transformações mais significativas do mundo da arte: do moderno ao contemporâneo. Ele era alemão e morava nos Estados Unidos.

Eu estou no Ceará, no Brasil e a realidade é outra. Temos uma realidade cultural totalmente diferente da que acolheu Rudolf e os artistas que ele conheceu. Mas meus colegas artistas tem produzido obras de apelo universal e que se colocam no mais alto nível da arte. Como explicar a ressonância do significado destas obras contemporâneas, sem considerar as variáveis do nosso tempo como tecnologia, abolição de fronteiras, acesso à informação em grande volume e tempo recorde? Não dá.

Voltando ao ponto de partida deste artigo, embora devamos estar atentos para as direções que a arte contemporânea tem apontado, não podemos ignorar o público e seu apelo por significado. Uma obra de arte, mesmo sendo de natureza conceitual, deve ter um diálogo com o observador sob pena de não ter valor por não ser apreciada. Nossos sentidos precisam de uma busca, de uma razão para olhar, analisar, perceber e admirar.

Eu vou ao Museu para ter prazer estético e sensorial. Para esquecer dos problemas e mergulhar em um mundo diferente, que deve ser essencialmente interessante e quero encontrar lá trabalhos que satisfaçam estas minhas necessidades plenamente. Se os artistas ignoram estes preceitos, não teem competência para estar num museu e nem para chamar de arte o que produzem. Então artistas, não me confundam. Descompliquem. Não tentem fazer da arte uma coisa sem sentido e sem valor.

Somos todos artistas

Postado por auri em 13/mai/2007 Comentar

Estudando o livro Arte e Percepção Visual de Rudolf Arnhein, compreendi que o pensamento é imagético e que não existe sem o visual. Só pensamos quando vemos, ainda que seja somente no nosso imaginário.

Nossos sentidos nos levam a perceber se gostamos ou não das coisas e das pessoas. E através de nossos olhos, temos a capacidade inata de perceber e entender o mundo. E entendo o artista como sendo a pessoa que tem estes sentidos aguçados sejam por que nasceu assim, ou porque foi treinado. Treinar, é a palavra chave. Se treinarmos as pessoas para perceber a arte, elas o farão com certeza, pois está dentro delas o que é preciso para apreciar.

Ao apreciarmos uma obra de arte e nos faltar palavras para descrevê-la, não podemos considerar este fato como um fracasso. Segundo Arnhein, a razão para isto “não está no fato de usar uma linguagem, mas sim por que não se conseguiu ainda fundir essas qualidades percebidas em categorias adequadas”. A linguagem não pode executar a tarefa de expressar o sentimento sensório por completo, por que segundo ele “não é via direta de contato com a realidade”.

Mas foi se o tempo em que ser artista era ser iluminado. Nos dias atuais, temos visto a arte entrar em domínios cada vez mais impensáveis e utilizar o que o nosso tempo coloca à disposição dos fazedores de obras. Foi assim com Picasso, com Duchamp e é assim com Damien Hirst e Mariko Mori. “Não se pode mais considerar o trabalho do artista como uma atividade independente, misteriosamente inspirada do alto, sem relação e sem possibilidades de relacionar-se com outras atividades humanas”, diz o autor.

A arte de nossa contemporaneidade encarrega-se de valorizar a celebração das pequenas coisas e “reconhece como elevada a observação que leva à criação da grande arte, como um produto da atividade visual mais humilde e mais comum, baseada na vida diária”, diz Rudolf Arnhein. Existe assim, um sentido na afirmação atribuída a Joseph Bueys de que todo mundo é um artista em potencial. Andy Warhol levou este pensamento ao extremo ao expor os valores de uma sociedade consumista e artificial serem representados por uma lata de sopa ou uma caixa de sabão em pó.

Rudolf Arnhein, alemão de Berlim, nasceu em 1904. Filósofo, psicólogo e teórico da Arte, estudou Psicologia durante os anos 20. Em 1940 emigrou para os EUA aonde a partir de 1968 foi professor de Psicologia da Arte em Harvard. Tornou-se professor convidado na Universidade de Michigan em Ann Arbor. Sua morte em 1997 deixou um grande vazio no mundo dos pesquisadores da arte e da psicologia.

Suas idéias possibilitam a nós “artistas que somos”, compreender e explorara o mundo visualmente, de maneira simples e prazeroa. E neste momento ao procurar informação e e ler este artigo, segundo ele, você está exercedo uma atividade artística “porque envolve o arto de dar e de econtrar forma e significado”. Somos todos artistas em busca de uma maneira diferente porém satisfatória de entender quem somos e o mundo que habitamos.

Homem-aranha 3: muito barulho e pouca história

Postado por auri em 13/mai/2007 Comentar

Seguindo a fórmula de sucesso dos dois anteriores, o terceiro filme do Homem Aranha não tem novidades. Para quem cresceu lendo os quadrinhos, como eu, sabe que ele é o herói mais humano e carismático da Marvel. Não me assusta que as novas gerações tenham tanta admiração por ele.

O cinema estava cheio de gente grande e pequena. Muitos estavam estampando o sentimento logo na roupa. Cheio de homens-aranha, o cinema vibrou com mais uma aventura do aracnídeo. Ficamos satisfeitos com as cenas de ação e vale a pena tirar o chapéu para a turma dos efeitos especiais. A transformação do Homem-Areia é simplesmente fantástica!

Irritante mesmo, só a quantidade de trilhas que os produtores enxertam na trama. Fica quase impossível sentir o valor da interpretação dos atores, já que a força das cenas é embotada pela música onipresente em toda a película. Beira ao exagero. Mas, enfim, é a fórmula hollywoodiana do entretenimento. Muito barulho e pouca história.

Fui mesmo só pra ver o meu herói pular de prédio em prédio, além da minha imaginação. Ainda prefiro o velho e bom gibi. Posso levá-lo a um lugar tranquilo e fazer a viagem que quiser, no meu silêncio. E se quiser um som, sou o maestro e sei dosar o momento certo para a orquestra tocar e conduzir meu personagem.