Somos todos artistas

13/mai/2007 Comentar

Estudando o livro Arte e Percepção Visual de Rudolf Arnhein, compreendi que o pensamento é imagético e que não existe sem o visual. Só pensamos quando vemos, ainda que seja somente no nosso imaginário.

Nossos sentidos nos levam a perceber se gostamos ou não das coisas e das pessoas. E através de nossos olhos, temos a capacidade inata de perceber e entender o mundo. E entendo o artista como sendo a pessoa que tem estes sentidos aguçados sejam por que nasceu assim, ou porque foi treinado. Treinar, é a palavra chave. Se treinarmos as pessoas para perceber a arte, elas o farão com certeza, pois está dentro delas o que é preciso para apreciar.

Ao apreciarmos uma obra de arte e nos faltar palavras para descrevê-la, não podemos considerar este fato como um fracasso. Segundo Arnhein, a razão para isto “não está no fato de usar uma linguagem, mas sim por que não se conseguiu ainda fundir essas qualidades percebidas em categorias adequadas”. A linguagem não pode executar a tarefa de expressar o sentimento sensório por completo, por que segundo ele “não é via direta de contato com a realidade”.

Mas foi se o tempo em que ser artista era ser iluminado. Nos dias atuais, temos visto a arte entrar em domínios cada vez mais impensáveis e utilizar o que o nosso tempo coloca à disposição dos fazedores de obras. Foi assim com Picasso, com Duchamp e é assim com Damien Hirst e Mariko Mori. “Não se pode mais considerar o trabalho do artista como uma atividade independente, misteriosamente inspirada do alto, sem relação e sem possibilidades de relacionar-se com outras atividades humanas”, diz o autor.

A arte de nossa contemporaneidade encarrega-se de valorizar a celebração das pequenas coisas e “reconhece como elevada a observação que leva à criação da grande arte, como um produto da atividade visual mais humilde e mais comum, baseada na vida diária”, diz Rudolf Arnhein. Existe assim, um sentido na afirmação atribuída a Joseph Bueys de que todo mundo é um artista em potencial. Andy Warhol levou este pensamento ao extremo ao expor os valores de uma sociedade consumista e artificial serem representados por uma lata de sopa ou uma caixa de sabão em pó.

Rudolf Arnhein, alemão de Berlim, nasceu em 1904. Filósofo, psicólogo e teórico da Arte, estudou Psicologia durante os anos 20. Em 1940 emigrou para os EUA aonde a partir de 1968 foi professor de Psicologia da Arte em Harvard. Tornou-se professor convidado na Universidade de Michigan em Ann Arbor. Sua morte em 1997 deixou um grande vazio no mundo dos pesquisadores da arte e da psicologia.

Suas idéias possibilitam a nós “artistas que somos”, compreender e explorara o mundo visualmente, de maneira simples e prazeroa. E neste momento ao procurar informação e e ler este artigo, segundo ele, você está exercedo uma atividade artística “porque envolve o arto de dar e de econtrar forma e significado”. Somos todos artistas em busca de uma maneira diferente porém satisfatória de entender quem somos e o mundo que habitamos.

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