Arquivo de outubro de 2008

As múltiplas dimensões da cor

Postado por auri em 18/out/2008 1 comentário

Marie Cosindas: Sailors, Key West, 1966

A simples dimensão física da cor paradoxalmente se transforma em várias dimensões em uma fotografia, multiplicando o impacto de uma figura de muitas maneiras. A cor soma-se ao apelo estético da fotografia. De modo menos óbvio, ela também soma-se ao significado da figura. A cor pode localizar uma cena no tempo indicando o dia, o ano e até o período. Pode marcar um lugar e dar pistas de como ele era antes da câmera registrá-lo. E pode nos dizer o que a imagem quis transmitir sobre as pessoas, indentificando-as e ressaltando-as não apenas em suas idéias bem como em suas emoções.

A cor revela o tempo por que as cores mudam com o tempo. A cor da luz iluminando uma cena se altera de acordo com o passar das horas do dia desde o nascer ao pôr do sol bem como o passar do ano, de estação para estação. Até cores intrínsecas de objetos podem variar. A folhagem passa por transformações que somente as fotografias coloridas podem captar: não apenas as óbvias variações de cores como as do Outono, mas súbitas nuances nas formas que podem ser vistas como lâminas de grama em crescimento no início de Abril; de verdes claros aos densos verdes de Junho passando para os verdes amarelados e secos de Agosto e finalmente nos marrons de Novembro.

Em imagens de pessoas, a cor é como uma etiqueta cuja função é identificar quem a usa e estabelecer uma singularidade num contexto particular – algumas vezes pode até revelar o que se está fazendo naquele instante. O conjunto de cores do uniforme de um atleta é um bom exemplo deste tipo de etiqueta. Assim também pode ser considerado os rostos pintados de vermelho e amalelo de determinadas tribos da Nova Guiné.

Peter Turner: New Guinea Faces, 1967.

Em mãos criativas, a cor pode exaltar sutilezas da personalidade e a complexidade das emoções. Marie Cosindas usava a cor para criar uma atmosfera de nostalgia ao redor das pessoas que fotografava. Já Gordon Parks, fotógrafo da LIFE por vinte anos, conseguia provar em suas imagens que, combinadas adequadamente, as cores podem evocar tanto uma resposta cheia de humanidade abstrata quanto de uma inquietação.


Gordon Parks: The Window, 1960.
Em fotografia, muitas vezes, a cor fornece mais do que apenas significado ao acrescentar também beleza. A cor é a a própria justificativa. É ela quem faz a imagem num pôr-do-sol, em olhos azuis, flores silvestres, desertos pintados e oceanos azuis – até mesmo nos rostos pintados de vermelho e amarelo dos nativos de Nova Guiné. A cor se basta para dar significado à fotografia. A fotografia é a cor.

Este texto foi traduzido. O original pode ser encontrado no livro Color, publicado em 1972 pela Life Inc. nos EUA. Escrito pelos editores não identificados na edição.